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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

·         Zé Rocha rasga o Regimento Interno da Câmara de Sapucaia e suspende sessão.
Numa das atitudes mais arbitrárias já praticadas em seu mandato como presidente do legislativo municipal, o vereador José Rocha cancelou uma sessão ordinária que havia amplamente sido anunciada como a que definiria se a Câmara abriria uma Comissão Processante contra o prefeito Anderson Zanon, denunciado por improbidade administrativa por seu ex-secretário de fazenda pública, Paulo Henrique Matosinhos, num vídeo divulgado pela imprensa e em poder do Ministério Público, que apura o caso.
O cancelamento da sessão causou indignação ao povo que compareceu mais uma vez ao plenário da Câmara e produziu bate-boca entre os vereadores que queriam que a ela fosse iniciada, já que havia quorum e a pauta poderia definir a situação política de Sapucaia, mas o presidente Zé Rocha decidiu encerrá-la, antes mesmo de abrir os trabalhos legislativos.
A medida foi classificada como temerária e irresponsável, pelo vereador Marcelo Esteves Seixas, que viu na atitude do presidente um descompromisso com a população e falta de respeito com o Regimento Interno da Casa, mas já havia tomado conhecimento de que manobras políticas haviam sido articuladas nos bastidores da Câmara horas antes, para que Paulo Henrique fosse desconvocado para o depoimento.
- “O que aconteceu aqui hoje (anteontem 07/11) foi um desrespeito com a sociedade de Sapucaia e a democracia que rege esse país, pois o presidente rasgou o Regimento Interno dessa Casa e arbitrariamente cancelou a sessão legislativa, apesar de termos número suficiente para dar início aos trabalhos e sua intrangigência demonstra o grau de descompromisso que tem com a verdade e a justiça que precisam prevalecer pelo bem do nosso povo tão indignado com o mar de lama que inunda o cenário político”, disse Seixas.
No plenário estavam os vereadores Fabrício Baião, Varne, Marcelo Seixas, Marcelo Wermelinger e o presidente José Rocha. Os demais abandonaram a Câmara minutos antes do início da sessão, atendendo convite do prefeito Anderson Zanon, para que prestigiassem um evento do Pro-Jovem, que acontecia no Centro Cultural Magracia. A manobra política para esvazia o plenário foi duramente criticada por Seixas.
Rocha justificou a suspensão da sessão por falta de quorum e prometeu convocar uma sessão extraordinária para esta terça-feira (ontem 08/11), mas os vereadores presentes contestaram seus argumentos e repudiaram nova convocação por esta ferir o Regimento Interno, que reza um período de 48 entre uma reunião e outra. A desconvocação de PH também causou revolta aos edis, que acreditam que o ex-secretário ainda tem muito o que contar sobre os esquemas de desvio de dinheiro da prefeitura.



- “Essa interferência do Executivo sobre o Legislativo é uma afronta ao princípio de indepêndencia que rege os poderes e até entendo a postura dos vereadores que se ausentaram, pois estão sendo chantageados pelo prefeito, que exige deles essa blindagem em troca de suas incrições como candidatos nas eleições do ano que vem, mas nada impedirá que as denúncias sejam apuradas. Não vou desistir dessa CPI e sem ela Sapucaia vai se transformar em um grande caldeirão”, afirmou ele.
Marcelo Wermelinger era outro que estava indignado com a postura do presidente. Para ele, Zé Rocha feriu a norma regimental em não abrir a sessão e obstruir a pauta que era tão aguardada pela população que vê as denúncias de Paulo Henrique como graves e devem ser apuradas pela Câmara. Wermelinger atribuiu a ausência dos vereadores ao fato da rádio passar a transmitir ao vivo as sessões legislativas e comprometer a postura dos edis que temem pela repercussão diante da opinião pública.
José Rocha tenta impedir que os requerimentos apresentados por Wermelinger e Seixas sejam votados e desde que as denúncias de PH foram divulgadas pela Internet, as manobras políticas para blindar o prefeito têm provocado turbulentas reuniões na Câmara. A população tem comparecido em massa ao recinto do legislativo e causado mudanças de comportamento dos vereadores, diante das manifestações da platéia.
Na reunião de ontem, tão logo Zé Rocha encerrou o expediente, uma ata de presença foi elaborada em seu gabinete e apresentada aos vereadores Seixas Wermelinger, como se apenas eles tivessem comparecido à sessão, omitindo Varne e Baião, na tentativa de justificar a ausência de quorum. Chamados a assinar a ata, os vereadores se recusaram e exigiram a confecção de outra ata. O clima ficou ainda mais tenso quando o verador Varne exigiu a inclusão de seu nome no documento. Rocha tentou destruir o documento inicial, mas Seixas o recolheu e o apresentou à imprensa conforme as fotos abaixo.
A Câmara já se esvaziava, quando os vereadores que se ausentaram do plenário regressaram. Procurado pela reportagem, Rildo Rodrigues se recusou a falar sobre o assunto. Cléber Casadio e Batatinha deixaram as dependências antes mesmo de serem localizados pala imprensa.
Entre os populares que compareceram à sessão, o sentimento era de indignação pelo que aconteceu. A empresária Nereide Bernardes se disse envergonhada de ter uma Câmara tão volúvel e sem ética. Para ela, o esvaziamento da sessão demonstra que há fragilidade na condução dos trabalhos e grande interferência do prefeito sobre alguns vereadores. A opinião foi compartilhada e aplaudida por outras pessoas que optaram pelo anonimato.


Fonte: Agência Serra/Folha Popular - na íntegra.